Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta, 
Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter, 
Pergunto a mim próprio devagar 
Por que sequer atribuo eu 
Beleza às cousas. 
Uma flor acaso tem beleza? 
Tem beleza acaso um fruto? 
Não: têm cor e forma 
E existência apenas. 
A beleza é o nome de qualquer cousa que não existe 
Que eu dou às cousas em troca do agrado que me dão. 
Não significa nada. 
Então por que digo eu das cousas: são belas? 
Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver, 
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens 
Perante as cousas, 
Perante as cousas que simplesmente existem. 
Que difícil ser próprio e não ver senão o visível! 

Alberto Caeiro, in O Guardador de Rebanhos - Poema XXVI
 


Comments

idomind
14/05/2012 22:16

Realmente não vimos as coisas como elas são.
Vimos as coisas como nós somos...:)
Eu vejo assim esta foto - cândida.

Belo trabalho.Todo ele.

beijos

Reply
Shin
16/05/2012 20:22

Tu és demais!!! cândida será o teu segundo nome a partir de agora LOLOLOL
:*

Reply



Leave a Reply